Muita gente chega ao consultório com uma imagem da hipnose tirada da televisão: alguém no palco, fazendo coisas estranhas na frente da plateia. Dá para entender o receio. Só que a hipnose clínica, também chamada de hipnoterapia, é outra coisa, e no Brasil o Conselho Federal de Psicologia a reconhece como recurso auxiliar do psicólogo desde 2000. Separei aqui as dúvidas que mais escuto.
Mito 1: “Na hipnose a pessoa perde o controle”
Não perde. A Associação Americana de Psicologia descreve a hipnose como um estado de atenção focada, com menor percepção do que acontece em volta. Não é sono nem desmaio. Você percebe o que está acontecendo, pode interromper quando quiser e não faz nada contra os seus valores.
Mito 2: “Hipnose clínica é igual à de palco”
A de palco existe para entreter a plateia. A clínica acontece dentro da psicoterapia, com objetivos combinados, sigilo e as regras do Código de Ética. A resolução do CFP, aliás, proíbe o psicólogo de usar a hipnose como demonstração.
Mito 3: “Só funciona com gente fraca ou influenciável”
Responder à hipnose não é sinal de fraqueza. Essa capacidade varia de pessoa para pessoa e, segundo um estudo que reavaliou os mesmos participantes depois de 25 anos, tende a se manter estável ao longo da vida. Por isso a avaliação inicial importa: para algumas pessoas, outras técnicas da psicoterapia funcionam melhor.
Mito 4: “A hipnose resolve tudo em uma sessão”
Desconfie de qualquer hipnoterapeuta que prometa cura rápida ou percentual de sucesso. A hipnose é um recurso auxiliar, usado dentro de um processo de terapia. Quanto tempo leva depende da pessoa, do que ela está vivendo e da frequência das sessões. Ninguém pode garantir prazo nem resultado.
Verdade 5: a hipnose é reconhecida pelo CFP
A Resolução CFP nº 13/2000 diz que a hipnose pode ser usada como recurso auxiliar do trabalho do psicólogo, quando necessária, desde que o profissional comprove capacitação adequada. A mesma resolução proíbe usá-la como demonstração ou de forma sensacionalista.
Verdade 6: a hipnoterapia tem apoio da pesquisa, principalmente na ansiedade
A hipnose é estudada há décadas. Uma revisão de 18 estudos, de 1995, comparou a terapia cognitivo-comportamental feita com e sem hipnose, e o grupo com hipnose teve resultados melhores. Em 2019, uma revisão de 15 estudos sobre ansiedade encontrou efeito parecido e mostrou que a hipnose rende mais quando combinada a outras técnicas.
Dentro da terapia, ela também pode apoiar o trabalho com medos, autoestima, estresse e sono, sempre avaliado caso a caso e sem substituir o acompanhamento médico.
Verdade 7: também pode ser feita on-line
Com um lugar reservado e uma boa conexão, as sessões acontecem por videochamada, seguindo a Resolução CFP nº 11/2018. Situações de urgência ficam de fora e precisam de atendimento presencial.
Como é na prática
Antes de qualquer técnica, conversamos sobre a sua história e sobre o que você quer trabalhar. Se a hipnoterapia fizer sentido, explico cada etapa e só seguimos com o seu acordo. No fim, falamos sobre a experiência e, quando é indicado, você aprende um exercício de auto-hipnose para praticar em casa.
Quer entender melhor? Veja como funciona a hipnoterapia no consultório em São Paulo e no atendimento on-line.
Referências
- Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 13/2000.
- Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 11/2018.
- American Psychological Association, Divisão 30 (2014). Definição de hipnose.
- Kirsch, I., Montgomery, G. e Sapirstein, G. (1995). Hypnosis as an adjunct to cognitive-behavioral psychotherapy: a meta-analysis. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 63(2).
- Valentine, K. E. et al. (2019). The efficacy of hypnosis as a treatment for anxiety: a meta-analysis. IJCEH, 67(3).
- Piccione, C., Hilgard, E. R. e Zimbardo, P. G. (1989). Stability of measured hypnotizability over a 25-year period. JPSP, 56(2).
Texto revisado por Vanessa Bergamo, psicóloga, CRP 06/175958 · atualizado em .