Uma crise de ansiedade assusta. Do nada, o coração dispara, o ar parece não entrar, as mãos tremem e vem a certeza de que algo muito ruim vai acontecer. Não é raro a pessoa ir parar no pronto-socorro achando que é o coração. Entender o que está acontecendo no corpo já tira um pouco do medo do próprio medo.
O que acontece no corpo
Diante de uma ameaça, real ou imaginada, o organismo liga um alarme: libera adrenalina, acelera a respiração e os batimentos e prepara os músculos para reagir. Na crise, esse alarme toca alto demais, mesmo sem perigo por perto. Os sinais mais comuns são:
- coração acelerado e aperto no peito;
- falta de ar ou respiração curta;
- tremor, suor e formigamento;
- tontura ou sensação de desmaio;
- medo intenso de perder o controle ou de morrer.
Importante: esses sintomas também podem ter causa física. Se for a primeira vez, se houver dor forte no peito ou qualquer dúvida, procure atendimento médico.
O que pode ajudar no momento
- Dê nome ao que está acontecendo. Dizer para si mesmo “isso é uma crise de ansiedade e vai passar” diminui o medo de que seja algo pior.
- Respire mais devagar. Inspire pelo nariz contando até quatro e solte o ar pela boca contando até seis, por alguns minutos. Estudos mostram que respirar devagar está ligado a menos ansiedade e mais sensação de calma.
- Traga a atenção para o presente. Muita gente se ajuda reparando em cinco coisas que vê, quatro que pode tocar e três sons à volta.
- Não brigue com as sensações. Tentar parar “na marra” costuma aumentar a tensão. Deixe que elas venham e passem.
- Vá para um lugar seguro e, se der, fique perto de alguém de confiança.
Essas estratégias ajudam a atravessar o momento, mas não cuidam da origem das crises.
Quando buscar acompanhamento
Vale procurar ajuda quando as crises se repetem, quando você começa a evitar lugares ou situações com medo de ter outra, ou quando a preocupação passa a atrapalhar o sono, o trabalho e as relações.
Na psicoterapia, olhamos juntos para o que dispara e o que mantém esse estado de alerta, e você constrói recursos para lidar com ele com mais autonomia. Quando indicada, a hipnoterapia pode entrar como recurso auxiliar. Se houver necessidade de medicação, a avaliação é feita por um médico, e os dois cuidados podem caminhar juntos.
Conheça a terapia para ansiedade em São Paulo, com atendimento no Jardim Popular, Zona Leste, e on-line.
Se você está em sofrimento intenso agora, ligue 188 (CVV, gratuito, 24 horas) ou 192 (SAMU).
Referências
- Organização Mundial da Saúde. CID-11: transtornos de ansiedade ou relacionados ao medo.
- Zaccaro, A. et al. (2018). How breath-control can change your life: a systematic review on slow breathing. Frontiers in Human Neuroscience, 12.
Texto revisado por Vanessa Bergamo, psicóloga, CRP 06/175958 · atualizado em .